Caro leitor, seja muito bem vindo a essas despretensiosas páginas.
Desejo falar ao seu coração não apenas com os meus poemas, mas também pelas mensagens, orações e reflexões aqui colocadas a seu dispor.
Que o coração do Divino Mestre Jesus os ilumine e abençoe sempre.
Aqui, você está livre também para desabafar seus problemas e angústias.
Darei um retorno tão logo possa e opinarei se assim você desejar.
Fique a vontade. Aqui você, internauta, vai encontrar uma amiga com o coração aberto a lhe auxiliar dentro dos meus limites, mas sempre com carinho, respeito e espírito fraterno.
NAMASTÉ.

sábado, 24 de setembro de 2016

PURIUPÓ

Quis saber porque sofriam.
Aqueles olhos negros pareciam condenados a solidão.
Amedrontados com o dia,
Escandalizados com a noite.
Quis saber o que temiam.
Não temiam.
Tinham os olhos vazados de sangue;
E as mãos acorrentadas à liberdade.
O sangue que lhes escorria não era vermelho,
Era verde,
Cor da mata.

Puriupó sofria. Estava vivo. Só.
O dia era uma canção que Puriupó amava.
A noite era filha do dia.
Puriupó dormia com a noite.
A lua enterrava o dia.
O amor de Puriupó fertilizava a noite terrena.
Deste grito de amor um novo sol surgia;
E, com ele, um novo dia.
Os olhos de Puriupó tremiam.
Temiam que o dia clareasse a noite,
Expulsando-a do seio da terra.

Piá, piava no céu.
Curumim chegava; chorava.
Puriupó deitava na terra,
A lua brilhava.
Puriupó gemia.
A terra uivava.
A noite sorria gritando
E o céu chorava.
Os olhos de Puriupó sangravam.
A mata se agitava.

O dia raiava.

             (do livro EMOÇÃO LABIRÍNTICA)


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