PURIUPÓ
Quis
saber porque sofriam.
Aqueles
olhos negros pareciam condenados a solidão.
Amedrontados
com o dia,
Escandalizados
com a noite.
Quis
saber o que temiam.
Não
temiam.
Tinham os
olhos vazados de sangue;
E as mãos
acorrentadas à liberdade.
O sangue
que lhes escorria não era vermelho,
Era
verde,
Cor da
mata.
Puriupó
sofria. Estava vivo. Só.
O dia era
uma canção que Puriupó amava.
A noite
era filha do dia.
Puriupó
dormia com a noite.
A lua
enterrava o dia.
O amor de
Puriupó fertilizava a noite terrena.
Deste
grito de amor um novo sol surgia;
E, com
ele, um novo dia.
Os olhos
de Puriupó tremiam.
Temiam
que o dia clareasse a noite,
Expulsando-a
do seio da terra.
Piá,
piava no céu.
Curumim
chegava; chorava.
Puriupó
deitava na terra,
A lua
brilhava.
Puriupó
gemia.
A terra
uivava.
A noite
sorria gritando
E o céu
chorava.
Os olhos
de Puriupó sangravam.
A mata se
agitava.
O dia raiava.
(do livro EMOÇÃO LABIRÍNTICA)
O dia raiava.
(do livro EMOÇÃO LABIRÍNTICA)
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