CEGUEIRA SOLAR
As andorinhas voam.
- Sabe que até acreditei em suas
promessas!?
O teto caiu.
Andorinhas continuam soltas no ar.
Queria tanto ser uma delas!
O telefone tocou. Droga!
Agora? Porque agora?
Bom fosse ele.
Ou, talvez, Deus.
Minha coruja não tira os olhos de
mim.
Não sei se era bem isso que queria
escrever!...
Soltei as palavras... livres.
Andorinhas.
A gaiola no mesmo lugar.
Li Demian – Hesse.
Pirei, me perdi, me achei, me
assustei.
Espelho.
Gostaria de ser Dom Quixote.
Ou, talvez, Porcina.
Estar dentro e fora,
Lá e cá,
Me descabelar, gritar,
Amar,
Quixotar sem parar
Alucinadamente!
Julieta se matou.
Roubei-lhe o coração, agora é meu.
Thayhanna vive em mim sem ser eu.
Ela, sim, é poeta. Índia.
Sempre foi.
Descobriu até a beleza, as cores
poéticas das cobras.
Talvez seja a índia que fui;
Eu, a poeta que foi.
Tocam tambores. Escrevo.
Raiamum era meu.
Era dela.
Agora num é meu nem dela.
É de Tiça... sempre
Atrapalha a primavera.
Raiamum dormiu... Tiça oh!,
abocanhou.
A coruja ainda me olha.
As roseiras esperam.
O quê? Não sei, não sou rosa!
Sou lírio.
Palmas, palmas, palmas...
Roda, roda, gira!
Pica o tambor!
Tenho seios indígenos.
Quando li Demian obscureci a
subconsciência do meu olhar.
Minha cegueira solar é nítida.
(do livro DESFALECIMENTO)
Minha cegueira solar é nítida.
(do livro DESFALECIMENTO)
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