ESPERA
Se a chuva cai não é porque existo.
Minha canção é comum, banal,
E o relógio não pára.
A música continua independente de
mim...
Choro por você.
A chuva cai e eu continuo a sorrir;
Espero um raio de sol.
Um dia, quando as rosas da roseira
se abrirem,
Quero estender a mão e te
encontrar, te sorrir,
Te amar até as entranhas qual raiz
firme.
Vamos nos molhar, não mais de
chuva;
De calor, amor e suor.
As cerejas serão bem vermelhas e
doces.
A Cavatina será ouvida na voz dos
pássaros.
Você não existe aqui... eu
espero...
Meu leito é vazio
E a chuva não cai porque existo.
O ar grita, me ensurdece,
Aperta o peito e me faz tremer de
frio.
Meu leito estará vazio...
O relógio não pára.
Eu continuo a sorrir, chorando.
Seu calor, seu amor, seu olhar...
nenhuma rosa.
O sol ainda é frio.
Ouço a Cavatina, longe.
(do livro DESFALECIMENTO)
Nenhum comentário:
Postar um comentário