BRECHA
Olhando uma lua
na escuridão,
Senti
ansiedade...
Ansiedade de
vida,
De liberdade.
Parei tudo
naquele instante.
Me sentei no chão
E observei aquela
pequena brecha de luz
Naquela imensa
escuridão.
Não entendia o
porquê daquela luz!
Porque tanto me
feria, me machucava.
E fugi dela
Como nunca fugi
de nada na vida.
Porém, quanto
mais fugia,
A cada dia a
brecha aumentava
E a luz aumentava
mais.
Parei.
Queria saber que
luz era aquela!
Porque me seguia?
O que queria
comigo?
E porque me
magoava tanto?
Sentia meu peito
apertado,
E uma vontade
incessante
De não parar
nunca de olhar aquela luz,
E meus olhos
choravam... muito.
Depois, pela
mesma brecha,
Do fundo da luz,
Nasceu... e eu vi
crescer uma enorme rosa,
E dela ecoou um
som
Que após ter
atravessado a luz
Fez-se nítido e
claro;
Apresentou-se:
Amor.
E tudo passou a ter cheiro de rosa.
Ele me envolvia,
E ainda que
suave, me feria,
Me sufocava,
Fazendo-me
chorar.
Crescia e pesava
de tal forma
Que não suportava
mais seu peso.
Era grande demais
para mim,
Não compensava.
Por mais que
tenha tentado,
Procurado achar
uma brecha de luz
Ao lado da minha,
Não encontrava...
não via nada.
Cansei... não
tentei mais.
Apenas continuava
observando a luz e a rosa,
Que se mantinham,
Teimando em me
ferir.
Um dia a rosa
chorou;
Foi murchando,
murchando...
A luz diminuindo
E tudo passou a
ter cheiro de morte.
Pétalas no chão.
A luz sumiu.
O coração
cicatrizou,
Mas a brecha
permanecia aberta
Esperando a rosa
voltar,
Renascer do
turbilhão
Dos confins dos
mares,
Nos vulcões
chamejantes
Da minha escuridão.
(do livro AMOR SOLIDÃO)
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