Caro leitor, seja muito bem vindo a essas despretensiosas páginas.
Desejo falar ao seu coração não apenas com os meus poemas, mas também pelas mensagens, orações e reflexões aqui colocadas a seu dispor.
Que o coração do Divino Mestre Jesus os ilumine e abençoe sempre.
Aqui, você está livre também para desabafar seus problemas e angústias.
Darei um retorno tão logo possa e opinarei se assim você desejar.
Fique a vontade. Aqui você, internauta, vai encontrar uma amiga com o coração aberto a lhe auxiliar dentro dos meus limites, mas sempre com carinho, respeito e espírito fraterno.
NAMASTÉ.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

ENTREGA

Janela fechada.
Não há luzes.
A brisa é tímida;
Quente.

Minha solidão consciente se perturba
Com o espelho côncavo... convexo.
Fecho o armário.
Debruço no vazio da inquietude do meu ser.

Nesse labirinto, sinto,
Vejo o meu avesso
E me dispo devagar, sem pecado,
Sem medo de me olhar, me tocar,
Sentir prazer.

Abro um pouquinho a janela.
Deito.
Braços estirados, pernas abertas.
Nua.
A brisa, lenta, acaricia minha pele.

Olhos cerrados. O mundo voa.
Flecha indígena, rápida, certeira.
Chove. Fogo neve.
Gado sem pasto.

Choro. Olhos secos,
Cansados de fantasias.
A mão à boca...
São lábios que beijo.

A vida me afogueia até o orgasmo.
Sou mulher.
Terra virgem, vermelha, roxa.
Voo alto, ligeiro;

Pássaro sem asas, sem penas.


                          (do livro DESFALECIMENTO)




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