ENTREGA
Janela fechada.
Não há luzes.
A brisa é tímida;
Quente.
Minha solidão consciente se
perturba
Com o espelho côncavo... convexo.
Fecho o armário.
Debruço no vazio da inquietude do
meu ser.
Nesse labirinto, sinto,
Vejo o meu avesso
E me dispo devagar, sem pecado,
Sem medo de me olhar, me tocar,
Sentir prazer.
Abro um pouquinho a janela.
Deito.
Braços estirados, pernas abertas.
Nua.
A brisa, lenta, acaricia minha
pele.
Olhos cerrados. O mundo voa.
Flecha indígena, rápida, certeira.
Chove. Fogo neve.
Gado sem pasto.
Choro. Olhos secos,
Cansados de fantasias.
A mão à boca...
São lábios que beijo.
A vida me afogueia até o orgasmo.
Sou mulher.
Terra virgem, vermelha, roxa.
Voo alto, ligeiro;
Pássaro sem asas, sem penas.
(do livro DESFALECIMENTO)
Voo alto, ligeiro;
Pássaro sem asas, sem penas.
(do livro DESFALECIMENTO)
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