DESFALECIMENTO
Estou morrendo.
Pouco a pouco me desfaço,
Lentamente, devagar.
Estou sendo engolida, mastigada,
Triturada,
Por mim mesma... por você...
Por muitos,
Por todo um sistema social.
Não sei...
Apenas sinto...
Estou morrendo.
Veio a tempestade
E o vento carregou todas as folhas
da roseira.
Flores espedaçadas.
Morro.
O ar me falta.
Disfarço, sorrio.
Às vezes até sinto alegria!
Estou morrendo.
O poço é profundo e estreito.
Tão fundo e escuro!...
Tenho medo.
Não é morte o vazio,
É vida.
Vida negra.
As folhas não voltam,
O mar não deixa.
Seus olhos castanhos me aparecem
fantasmas.
Sua boca...
Sua boca vejo sempre sorrindo,
Morango e creme de leite...
Desejo...
Mas você nunca está presente,
E eu morrendo,
Lentamente, devagar.
Tenho nada.
Ninguém.
Preciso de um amigo.
Alguém que me entenda,
Que me vire do avesso,
Que me sinta, me conheça,
Talvez, me olhe,
Me veja como mulher.
Um amigo...
Estou morrendo.
Estou sem ar.
É difícil até falar!
Não respiro, é noite.
O galo canta na madrugada.
A morte...
Eu não sei...
Destino.
Ah, estou tão cansada!
Cansada de viver sem viver,
De esmurrar o ar.
É dia e a noite não passa.
Estou cansada de lutar sem batalha.
Morro, morro só,
Você não vem... nunca vem.
Estou pedindo S O C O R R O...
Ninguém escuta.
É verdade!, ninguém me escuta.
Preciso de ajuda.
Quero me salvar.
Quero luz,
Muita luz.
Estou morrendo
Lentamente, devagar.
Os lírios murcharam.
Não posso morrer.
Talvez o mar traga as folhas,
Os ventos se acalmem.
O galo ainda canta.
No jardim há um botão de rosas...
Preciso estar viva.
Preciso te ajudar.
Quero poder te acalentar,
Te ouvir, te mimar.
Queijo com goiabada, Romeu e Julieta...
Um amigo...
Ninguém.
Ainda tenho que dizer tanto ao
mundo!
Queria poder muito,
Sem poder demais.
Apenas um olhar...
Um toque.
Necessito de um amigo.
O galo ainda canta
O sol é frio.
A noite... clara, morna.
Preciso de você.
Estou morrendo
Len-ta-men-te, de-va-gar.
(do livro DESFALECIMENTO)
Len-ta-men-te, de-va-gar.
(do livro DESFALECIMENTO)
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