Caro leitor, seja muito bem vindo a essas despretensiosas páginas.
Desejo falar ao seu coração não apenas com os meus poemas, mas também pelas mensagens, orações e reflexões aqui colocadas a seu dispor.
Que o coração do Divino Mestre Jesus os ilumine e abençoe sempre.
Aqui, você está livre também para desabafar seus problemas e angústias.
Darei um retorno tão logo possa e opinarei se assim você desejar.
Fique a vontade. Aqui você, internauta, vai encontrar uma amiga com o coração aberto a lhe auxiliar dentro dos meus limites, mas sempre com carinho, respeito e espírito fraterno.
NAMASTÉ.

domingo, 24 de julho de 2016

DESFALECIMENTO

Estou morrendo.
Pouco a pouco me desfaço,
Lentamente, devagar.
Estou sendo engolida, mastigada,
Triturada,
Por mim mesma... por você...
Por muitos,
Por todo um sistema social.
Não sei...
Apenas sinto...
Estou morrendo.
Veio a tempestade
E o vento carregou todas as folhas da roseira.
Flores espedaçadas.
Morro.
O ar me falta.
Disfarço, sorrio.
Às vezes até sinto alegria!
Estou morrendo.
O poço é profundo e estreito.
Tão fundo e escuro!...
Tenho medo.
Não é morte o vazio,
É vida.
Vida negra.
As folhas não voltam,
O mar não deixa.
Seus olhos castanhos me aparecem fantasmas.
Sua boca...
Sua boca vejo sempre sorrindo,
Morango e creme de leite...
Desejo...
Mas você nunca está presente,
E eu morrendo,
Lentamente, devagar.
Tenho nada.
Ninguém.
Preciso de um amigo.
Alguém que me entenda,
Que me vire do avesso,
Que me sinta, me conheça,
Talvez, me olhe,
Me veja como mulher.
Um amigo...
Estou morrendo.
Estou sem ar.
É difícil até falar!
Não respiro, é noite.
O galo canta na madrugada.
A morte...
Eu não sei...
Destino.
Ah, estou tão cansada!
Cansada de viver sem viver,
De esmurrar o ar.
É dia e a noite não passa.
Estou cansada de lutar sem batalha.
Morro, morro só,
Você não vem... nunca vem.
Estou pedindo S O C O R R O...
Ninguém escuta.
É verdade!, ninguém me escuta.
Preciso de ajuda.
Quero me salvar.
Quero luz,
Muita luz.
Estou morrendo
Lentamente, devagar.
Os lírios murcharam.
Não posso morrer.
Talvez o mar traga as folhas,
Os ventos se acalmem.
O galo ainda canta.
No jardim há um botão de rosas...
Preciso estar viva.
Preciso te ajudar.
Quero poder te acalentar,
Te ouvir, te mimar.
Queijo com goiabada, Romeu e Julieta...
Um amigo...
Ninguém.
Ainda tenho que dizer tanto ao mundo!
Queria poder muito,
Sem poder demais.
Apenas um olhar...
Um toque.
Necessito de um amigo.
O galo ainda canta
O sol é frio.
A noite... clara, morna.
Preciso de você.
Estou morrendo
Len-ta-men-te, de-va-gar.


                        (do livro DESFALECIMENTO)

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