Caro leitor, seja muito bem vindo a essas despretensiosas páginas.
Desejo falar ao seu coração não apenas com os meus poemas, mas também pelas mensagens, orações e reflexões aqui colocadas a seu dispor.
Que o coração do Divino Mestre Jesus os ilumine e abençoe sempre.
Aqui, você está livre também para desabafar seus problemas e angústias.
Darei um retorno tão logo possa e opinarei se assim você desejar.
Fique a vontade. Aqui você, internauta, vai encontrar uma amiga com o coração aberto a lhe auxiliar dentro dos meus limites, mas sempre com carinho, respeito e espírito fraterno.
NAMASTÉ.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Não sei como, mas não é raro me surpreender com meus sonhos. Sou uma sonhadora, uma romântica que amou um único homem. Desde que percebi, com certeza, não ser correspondida e não haver a menor chance entre nós dois, após pensar que viveria amando-o para o resto de minha vida, relaxando ante essa, para mim, uma verdade irrefutável, percebi, com o passar dos meses que todo aquele amor deixara de existir como antes, transcendendo para a forma de amor mais pura, o amor que Cristo nos mostrou com seus exemplos até o último suspiro, ensinando a quem o seguia, e hoje também o segue, o amor fraternal. Assim passei a amá-lo e a me sentir livre, feliz. Desde então desejo unicamente a sua felicidade. Contudo, jamais consegui me interessar por mais ninguém.
Talvez por não ter o coração comprometido, me dou ao direito de sonhar com amores fantasiosos; só que me surpreendo com as escolhas para a fantasia e acabo me divertindo comigo mesma. Geralmente opto por um artista que admire, mas também imagino um ser humano que só existe nos meus sonhos. Entretanto eu sou sempre eu mesma, raramente me reinvento, o que tem me dado a capacidade de me autoanalisar e me conhecer melhor, com coragem de perceber e admitir meus enganos, minhas máscaras, e lutar para joga-las fora, me esforçando para ser melhor ser humano a cada dia.
Meus sonhos românticos me surpreendem quando, a minha revelia, mostram-me a minha real face em determinadas situações de vida que, apesar de terem sido criadas por mim, são passíveis de serem vividas, com os mesmos dramas e dilemas, por qualquer ser humano. E é então que, ao tomar certas decisões na história criada, me deparo com escolhas que não são corretas, a personagem parece me colocar em cheque e me dizer: Está vendo como você ainda tem de crescer! Aí não dá para não admitir meus enganos, meus erros. Olho-me com coragem e me digo: Lílian, Lilian, preste mais atenção em si mesma e trabalhe-se para melhorar. Às vezes choro por saber que ainda me comporto de maneira que não desejaria; mas sei que a evolução não dá saltos, que errar é humano, que não devo me deixar levar pela culpa, mas sim lutar, me vigiar dia a dia para não cair nos mesmos enganos, mesmo tendo a consciência de que esse é um caminho que, até conseguir me transcender, cairei e levantarei muitas e muitas vezes. O esforço da transcendência, o vigiar constante, vai fazendo com que as quedas se espacem cada vez mais e mais até que a transcendência se realize por completo. Não é processo rápido, depende muito do esforço íntimo, do desejo real de ser melhor ser humano a cada dia, de conseguir se superar, se vencer. O maior vencedor não está nos pódios dos jogos, mas nos pódios internos, nas marcas superadas no nosso mundo emocional, intelectual e, acima de tudo, moral, ético.
Meus sonhos são meus amigos, companheiros e meus juízes implacáveis. Talvez por isso necessite tanto sonhar. Meus amores fantasiosos são meus grandes amigos. Com eles me conheço e reconheço, percebo a todo instante que não sou, nem de longe, perfeita. Não há como nos vermos como donos da verdade, porque o que achamos ser verdade hoje pode se mostrar uma inverdade amanhã. Seria preciso já termos alcançado a evolução de Cristo mas, se assim fosse, não haveria necessidade de estarmos encarnados neste mundo.
Amar, seja uma realidade ou uma fantasia, nos auxilia a crescer, mas, para tanto, é necessário que não amemos cegamente. O amor cego é prejudicial para ambas as partes; não permite crescimento, é egoísta, desequilibrado, e, sendo assim, não é verdadeiro. O amor verdadeiro não é ciumento, não tolhe, não apaga o outro, não sequestra seus sonhos, seus prazeres, ao contrário, lhe dá asas para voar.

(Lílian Cristina Pires)

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